Montenegro diz que o PSD «não ganha nada» acorrentado ao Chega
Na noite de segunda-feira, no Porto, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, disse que o PSD «não ganha nada em estar acorrentado» a partidos à sua direita e que quem espera o insucesso do partido «tem de esperar sentado». Não mencionou Pedro Passos Coelho, mas a RTP, o Observador e o Público leram as palavras como resposta ao ex-primeiro-ministro, que defendera um entendimento à direita. André Ventura, líder do Chega, respondeu que o tempo para um acordo de legislatura «já passou» (SAPO, Observador). O Observador conta ainda que o líder do PS, Carneiro, chamou à defesa de acordos com o Chega feita por Passos «o regresso aos três Salazares».
A resposta de Montenegro fixa a linha do Governo: negociar com todos, sem aliança fixa com o Chega. O debate sobre a direita volta a ser, também, um debate sobre quem lidera o PSD a seguir.
A discussão tem efeito direto na estabilidade do Orçamento do Estado para 2027, que o PS diz que vai deixar passar com a abstenção. Para o eleitor, é uma pista sobre os arranjos de governo possíveis depois das próximas eleições.
Quem apoia Passos vê nele uma alternativa para reunir a direita num programa reformista.
Aliados de Montenegro citados pelo Observador dizem que Passos já não conhece o partido nem o país e que fazer de Ventura um reformista moderado é uma ilusão.
A frase mais citada não nomeia ninguém, e a leitura de que é uma resposta a Passos vem dos jornais, não de Montenegro. Convém ler o que o primeiro-ministro disse e não apenas os títulos.
DailyDrop Edição Portugal Nº 10 · Edição da manhã · qua., 14 de out. de 2026