Trump disse, a caminho de um comício, que Putin quer mais um acordo do que Zelensky e que os dois lados violam o cessar-fogo energético que ele impôs (RTP). Na terça-feira à noite, mísseis balísticos russos atingiram uma central de aquecimento e eletricidade em Kiev; a Reuters conta duas mortes, e a BBC e a CNN citam Zelensky a dizer que os aliados não deram aviso prévio, pela segunda noite seguida segundo o Kyiv Post. Trump garante que os EUA continuam a partilhar informações com Kiev (Reuters, Bloomberg). Na UE, foram abertos mais dois grupos de capítulos na adesão da Ucrânia depois de a Hungria retirar as objeções, ficando dois por abrir (RTP, Observador, Reuters). A Reuters escreve que mais republicanos criticam o acordo do gasóleo com a Rússia.
Há três fios na mesma meada: saber se a trégua energética existe na prática, se Kiev pode contar com os aliados para ser avisada dos ataques e se a adesão à UE avança mesmo com a guerra. Uma central de aquecimento atingida com o frio a chegar põe o inverno de uma capital em risco.
Para quem vive em Portugal, o efeito é indireto: a guerra mantém os preços da energia sob pressão e a adesão da Ucrânia mudaria, a prazo, o orçamento e o mercado da UE. Se acompanha o assunto, convém separar o que Trump diz do que as duas partes confirmam.
Quem defende a linha de Washington diz que pressionar os dois lados e manter canais abertos com Moscovo, incluindo o acordo do gasóleo, é a via mais realista para acabar com a guerra.
Os críticos, entre eles republicanos citados pela Reuters, dizem que o acordo dá dinheiro a Moscovo, que os ataques a Kiev continuam e que a falta de avisos dos aliados é grave.
A trégua energética existe sobretudo na palavra de Trump: o Snopes perguntou se há prova de que as duas partes a aceitaram, e as centrais continuam a ser atingidas. O que acompanhar hoje é a reunião de Zelensky em Londres e se a promessa de mísseis terra-ar se confirma, e o que Washington explica sobre a falta de avisos.
RTP, Reuters, BBC, CNN, Kyiv Post, Observador, Bloomberg, Snopes (13–14 out 2026)
Trump diz que Putin quer o acordo mais do que Zelensky, e mísseis russos voltam a atingir uma central em Kiev sem aviso dos aliadosTrump diz que Putin quer o acordo mais do que Zelensky, e mísseis russos voltam a atingir uma central em Kiev sem aviso dos aliados
Washington garante que continua a partilhar informações com a Ucrânia; a UE abriu mais dois grupos de capítulos na adesão ucraniana depois de a Hungria retirar as objeções.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, disse a caminho de um comício que Vladimir Putin «quer mais» chegar a um acordo para acabar com a guerra do que Volodymyr Zelensky, e acusou os dois lados de violarem o cessar-fogo energético que ele próprio impôs. A declaração foi noticiada pela RTP na madrugada de terça-feira. O Snopes, serviço de verificação de factos, perguntou entretanto se existe alguma prova de que a Rússia e a Ucrânia aceitaram essa trégua.
Na terça-feira à noite, mísseis balísticos russos atingiram uma central de aquecimento e eletricidade em Kiev. A Reuters contou duas pessoas mortas; a BBC e a CNN citam Zelensky a dizer que os aliados não deram qualquer aviso prévio, o que, segundo o Kyiv Post, já tinha acontecido na noite anterior. O mesmo jornal recorda uma notícia do Axios, segundo a qual responsáveis norte-americanos ameaçaram suspender a partilha de informações por causa dos ataques ucranianos. Trump garante que os Estados Unidos continuam a partilhá-las (Reuters, Bloomberg).
No plano diplomático, a União Europeia abriu na terça-feira mais dois grupos de capítulos nas negociações de adesão da Ucrânia, os do mercado interno e da competitividade, depois de a Hungria deixar cair as objeções (RTP, Observador, Reuters, Euronews). Faltam dois: agricultura e coesão, e política ambiental, segundo o Observador. Zelensky e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, saudaram a nova etapa.
O acordo sobre o gasóleo russo continua a render críticas. A Reuters escreveu que mais republicanos o consideram uma «dádiva ao adversário», e a CNN Portugal titulou que o fornecimento de gasóleo russo «não vai fazer diferença nos preços» dos combustíveis. Os termos do acordo continuam a não aparecer nas nossas fontes. Zelensky disse no Telegram que há «boas decisões» de apoio à Ucrânia a ser preparadas esta semana, e a Reuters conta que hoje é recebido em Londres.