Na quarta-feira de manhã, a RTP deu conta de que o Governo anunciara o vencedor da privatização parcial da TAP. Ao início da tarde, a Reuters escreveu que a alemã Lufthansa vai pagar cerca de 1,3 mil milhões de dólares por 44,9% da companhia. O Jornal de Negócios diz que, além do «cheque» pela compra, a Lufthansa traz «o triplo» para Portugal, sem que o título esclareça de que investimento se trata. Um título do ECO refere uma venda de 100%, que não coincide com os 44,9% da Reuters, e por isso seguimos a agência. À noite, o ministro das Finanças, Miranda Sarmento, considerou «um erro histórico» não completar a privatização (RTP, Observador), e a CNN Portugal registou o ministro Pinto Luz a dizer que privatizaria 100% se dependesse só dele, garantindo que as decisões estratégicas ficariam sempre com o Estado. Um antigo ministro da Economia de Passos Coelho defendeu, também na CNN Portugal, que a TAP não deve ser toda privada.
A TAP é a companhia aérea de bandeira e o aeroporto de Lisboa é o seu centro de operações; quem a controla influencia ligações, preços e emprego. Com 44,9%, a Lufthansa fica abaixo de metade do capital, o que deixa em aberto quem decide e quem fica com o resto. O debate político, entre vender tudo e conservar uma parte pública, vai moldar o que vem a seguir.
Se tem viagens marcadas, não encontrámos nenhuma alteração anunciada. Como contribuinte, o pagamento de cerca de 1,3 mil milhões de dólares é receita se for para o Estado, como é habitual numa privatização, mas só com o contrato à vista se percebe o que ficou garantido em empregos, rotas e ligações às regiões. Vale a pena distinguir o que já aconteceu (a escolha do comprador) do que é só intenção (completar a privatização).
Quem defende a privatização total, como Miranda Sarmento e Pinto Luz, diz que parar a meio seria um erro e que o Estado manteria as decisões estratégicas de qualquer modo.
Quem resiste à venda total, como o antigo ministro da Economia ouvido pela CNN Portugal, diz que a TAP não deve ser 100% privada; Albuquerque garantiu que o serviço público para as regiões continuará a ser assegurado (RTP).
A escolha do comprador é um facto. O resto — o «triplo», os 100%, o «erro histórico» — são números atribuídos a uma só fonte ou opiniões, ainda sem contrato à frente. O que decide se foi um bom negócio é o que o Estado conserva: direitos de decisão, garantias para as regiões e o preço de cada ponto percentual. Acompanhe nos próximos dias o texto do contrato, um calendário para a conclusão e uma resposta do Governo à pergunta que ficou no ar: vai tentar vender o resto?
Reuters, RTP, Jornal de Negócios, ECO, CNN Portugal, Observador (14–15 out 2026)
Lufthansa vence a privatização parcial da TAP com 44,9% por cerca de 1,3 mil milhões de dólares; o ministro das Finanças defende completar a vendaLufthansa vence a privatização parcial da TAP com 44,9% por cerca de 1,3 mil milhões de dólares; o ministro das Finanças defende completar a venda
Miranda Sarmento diz que seria «um erro histórico» não completar a privatização, Pinto Luz garante que as decisões estratégicas ficariam sempre com o Estado e um antigo ministro da Economia discorda de uma TAP toda privada.
O boletim das 5h da RTP, na quarta-feira, deu conta de que o Governo anunciara o vencedor da privatização parcial da TAP. Ao início da tarde, a Reuters concretizou o resultado: a alemã Lufthansa vai pagar cerca de 1,3 mil milhões de dólares por 44,9% da companhia aérea portuguesa. Como 44,9% fica abaixo de metade do capital, a compra, por si só, não dá à Lufthansa a maioria, e as fontes não dizem quem fica com o resto. O Jornal de Negócios escreveu que, além do «cheque» pela TAP, a Lufthansa traz «o triplo» para Portugal; o título que vimos não esclarece de que investimento se trata e não há segunda fonte para esse valor. Um título do ECO fala em venda de 100% à Lufthansa, o que não coincide com os 44,9% da Reuters, e por isso seguimos a agência. Uma conta nossa, que não vem de nenhuma fonte: 1,3 mil milhões a dividir por 0,449 dá cerca de 2,9 mil milhões de dólares para todo o capital, se o mesmo preço valesse para o resto; o contrato pode dizer outra coisa.
Na quarta-feira à noite, o ministro das Finanças, Miranda Sarmento, considerou «um erro histórico» não completar a privatização da TAP (RTP, Observador). A CNN Portugal registou o ministro Pinto Luz a dizer que «não tem dúvidas absolutamente nenhumas» de que privatizaria 100% da TAP se a decisão dependesse só dele, e a garantir que, numa privatização total, as decisões estratégicas continuariam a depender do Estado português. A mensagem repetiu-se nos boletins da RTP da meia-noite e das 3h de quinta-feira. Já Albuquerque garantiu, segundo a RTP, que o serviço público para as regiões continuará a ser assegurado.
Nem todos concordam com o passo seguinte. Ainda na CNN Portugal, um antigo ministro da Economia de Passos Coelho defendeu que a TAP não deve ser 100% privada e explicou porquê; noutros títulos da estação, alguém diz que vale a pena um esforço para saber se há condições de vender todo o capital, e alguém resume que «só chegamos à sensatez por exaustão». Os títulos nem sempre identificam quem disse cada frase, pelo que não as atribuímos a ninguém em concreto. O Jornal de Negócios publicou ainda um texto de opinião intitulado «TAP: um bom negócio».
Convém separar três coisas que os títulos misturam: a venda de 44,9% já anunciada, a vontade política de ir mais longe e a hipótese de uma venda total, que por agora é só opinião. Das nossas fontes não resultam o texto do contrato, as condições de saída nem o calendário até à conclusão. Quanto a quem tem viagens marcadas, não encontrámos nenhuma alteração anunciada. O processo da Azores Airlines segue em paralelo: a RTP escreveu que cinco concorrentes foram convidados a apresentar propostas vinculativas.